Briefing
Não adianta a imposição de pacotes didáticos-pedagógicos prontos e acabados.
Ninguém mais que nós professores podemos proporcionar ao aluno a reflexão sobre a realidade política, econômica, social e cultural para ampliar o conhecimento dele de mundo globalizado e suas consequências.
Os recursos tecnológicos, por sua vez, não podem substituir o nossovalor ou o da escola. O desafio para nós é encontrar maneiras de utilizá-los para o benefício do processo ensino/aprendizagem.
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Jornada Novos Letramentos: Letramento crítico, Genealogia e Transculturalidade
Professor Doutor Lynn Mario T. Menezes de Souza
Diante do processo de globalização, há sempre o desafio de procurar novas formas de aprender e ensinar, se relacionar e se comunicar em um mundo interconectado, com culturas interconectadas que rompem com os moldes lineares.
A transculturalidade prevê uma justaposição de duas ou mais culturas que podem ter pontos em comuns e outros que permanecem distantes, isto é, uma estrutura em movimento constante na qual devemos sempre tentar superar a dificuldade de entender o outro, a fim de que não gere fundamentalismos do tipo ‘eu sei mais, eu sou melhor que o outro’.
A aprendizagem no mundo globalizado não é mais somente uma transmissão e aquisição de conhecimento em sala de aula. Ela agora significa a capacidade de cada aluno de buscar e produzir conhecimento (exemplo: Google).
O professor, diante desta realidade, tem que estar pronto para o ‘unlearning’, isto é, desaprender as formas de aprendizagem que herdamos e partir para o new learning, ou seja, justapor o sabido com o ‘a ser aprendido’. A língua deixa de ser mais um conteúdo memorizado. O professor deve buscar novas metodologias, meios, formas e resultados de ensino/aprendizagem.
Isto tem gerado um conflito: os estudantes estão em constante busca de informações de uma forma dinâmica e nós, professores, apenas transmitimos informações, sem conseguir acompanhar o ritmo acelerado dos estudantes. O problema é que, apesar de toda a busca de informação, os estudantes ainda não sabem como avaliar o que é relevante e adequado nos resultados da busca.
Segundo o Professor Lynn, no novo letramento crítico, nós, professores, devemos provocar a curiosidade do aluno a tal ponto que ele vá além da aparência da verdade, que perceba o que há por trás daquilo que o coletivo ensina a ele como natural, como correto. Devemos instigá-lo a questionar: Por que vejo (penso) assim? Por que o mundo me parece assim? De onde vêm as ideias, valores e verdades que herdei?
O que eu, professor de inglês tenho a ver com isto?
Aí está resgatado o valor do professor e do ensino porque nós é que vamos criar as condições para que isto aconteça. Não é porque as novas tecnologias são enganosamente dadas como a solução dos nossos problemas que nós vamos acabar com o valor educacional da escola e do professor.
Neste mundo globalizado, até que ponto os consensos não passam por cima das necessidades individuais, homogeneizando e propondo consensos que sempre vêm dos mais fortes e acaba sendo chamado de consenso?
O estudante precisa aprender a confrontar suas interpretações e seus valores com os outros que possuem valores e interpretações diferentes. A minha aparente individualidade está sempre conectada à aparente individualidade do outro; as necessidades de valores dos outros se conectam às nossas e vice-versa; as nossas interpretações dos outros têm conseqüências sobre a vida desses outros e vice-versa; as mazelas do outro trarão conseqüências para mim e vice-versa; eu não estou sempre certo e o outro sempre errado; a dificuldade em entender o outro pode estar no outro, mas também pode estar em mim.
Nessa implicação, a nossa responsabilidade surge perante o outro e vice-versa. Precisamos ensinar e entender e tornar a entender e tomar a responsabilidade para as nossas respostas, ações e interpretações.
O letramento crítico é disenso. Algo sempre vai surgir na nossa leitura, na tentativa de fazer sentido. O letramento crítico é algo que deve ser exercitado continuamente, em todas as atividades pedagógicas, É uma construção, reconstrução e adaptação constante.
Comentário interessante sobre a palestra da Jornada Novos Letramentos, especialmente pela parte que aprece após você dizer "O que eu professor tenho a ver com isso?". Bom notar que para você o letramento crítico do aluno apareça como algo contínuo e não como uma medida puntual que só se use poucas vezes ao longo de todo um ano letivo.
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